Conforme o escritor imperatrizense
José Herênio, em sua obra "IMPERATRIZ! Nossa Avozinha aos 100 anos de idade", nos relata na página 182 a história desta histórica embarcação.
"Tendo em vista que a atividade política era bloqueada por Amaro Bandeira e seu grupo de fazendeiros, isto em Imperatriz MA, Emiliano Herênio, canalizou os seus esforços investindo em unidades de transporte fluvial.
Em 1904, Emiliano Herênio arrendou, por um longo período, a maior e mais moderna lancha existente, que pertencia ao grupo belga.
Sua frota era constituída de botes, batelões e uma lancha de nome Goyaz, em cuja embarcações transportava pessoas, gêneros alimentícios, mercadorias e gado no Vale do Tocantins.
Viajando no sentido rio acima, atingia as localidades de Peixe, Natividade, Porto Nacional e Tocantínia, no alto Tocantins; na volta vinha aportando em cidades e vilas, até Marabá e, por vezes, a Belém do Pará.
Segundo anotações de Paulo Bosco Rodrigues Jadão,ex-prefeito de Marabá, em seu interessante livro Marabá - 1984, diz que em 1904, Emiliano Herênio era tido como grande comerciante em Imperatriz MA. Com tal cacife, Emiliano procurou a representação carolinense do grupo belga, alugou e aumentou sua frota ao incorporar a grande lancha, Rio Araguaia.
Paulo Bosco que atuou por mais de 16 anos no transporte fluvial, anotou que a lancha Rio Araguaia, apelidada de Lancha Grande, era bem diferenciada das demais lanchas: tinha tamanho maior que as outras embarcações por possuir dois pisos. No segundo andar, amparado por grande toldo, havia dependências destinada ao comandante, ao proprietário, duas dependências para passageiros especiais e uma sala de jantar. Esta grande lancha estava agora a cargo do transportador imperatrizense Emiliano Herênio, que a utilizara com sucesso.
Entretanto em fins de 1912, os procuradores dos belgas, a família Carvalho, de Carolina, resolveu vender a Lancha Grande ao carolinense Messias Lopes de Souza, que cedeu ao também carolinense Salatiel Queiróz.
Com o episódio da emancipação de Marabá, em 5 de abril de 1913, a lancha Grande passou a ser popularmente conhecida como 'Boa Nova' e, com este nome, continuou trafegando no Tocantins até seu final."